segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Cronos, que devora seus filhos.

Mudou tudo, mudou tanto - de minha última tentativa de escrita para cá, já saí do PET, comecei a estagiar e tantas outras coisas...

Por isso então, para engrenar na escrita, nada melhor do que trazer o que eu tenho escrito por lá para o meu espaço - principalmente porque, desde o meio de 2012, toda minha produção foi, em verdade, só para aquele blog.

Agora que volto a ser sozinha por aqui, um ato simbólico limpar a escrivaninha de meus pertences pessoais e trazer para casa...

E, para variar, começo pelo final.

Cronos, que devora seus filhos - escrita em 27/02/2013


Cronos é o deus do tempo, mas durante seu reinado todo tempo era negado. Depois interromper o eterno abraço do Céu (Urano) com a Terra (Gaia) com a castração de seu pai, Cronos vivia com medo da profecia que seria deposto por um descendente seu. Por isso, devorava seus filhos e filhas logo que nasciam. O passado, castrado; o futuro, negado. Era o tempo dos animais, do instante, que não se permite história nem mudança, o tempo eterno do brutal e do caótico.

Foi só quando Zeus, escondido pro sua mãe quando era bebê, enfrentou o pai, o fez regurgitar todos os irmãos e irmãs e o jogou nas profundezas é que o tempo conseguiu fluir: agora sim, para além do caos brutal foi possível começar a história e se criar o panteão dos deuses do Monte Olimpo – Hefesto e seus metais forjados no vulcão, Afrodite e suas intrigas amorosas, Atena e suas técnicas e sabedorias. Tudo com o seu tempo socialmente criado, com sua memória e suas promessas de futuro. Agora sim, há sociedade, e junto com ela, a temporalidade: o nosso fazer do tempo, que guarda o passado e se prepara para o futuro, que se apega a tradições ou proclama inovações a longo prazo. É muito limitada a visão de que o tempo é a passagem de segundos contada no relógio: nós, como seres que se estendem no tempo, construímos relações e durações (como os próprios segundo), convencionamos socialmente se ele anda em linhas ou em círculos, debatemos se ele passa rápido ou devagar, criamos eras para dividi-lo e relógios para medi-lo.



Mas mesmo com tudo isso, estamos longe de sermos senhoras do tempo: das profundezas do tártaro, Cronos ainda nos coloca sua mensagem e ameaça: o tempo ainda devora suas crias, esse escultor de ruínas que transforma o ouro da glória em pó, o maior vigor em fragilidade, a maior das mentes no nada, e a maior das pessoas em fantasmas de memória.


Ave, leitor(a): aquela que vai morrer te saúda.


Porque a cada respiração, a indesejável das gentes chega – dura ou caroável, mas terrivelmente próxima. Próxima porque não é só esse frágil corpo que se esvai nos dias – as mortes de cada dia nos espreitam nas menores coisas. Morremos nós, mas morrem também ideias, sonhos e tempos dentro da vida. É morte uma pessoa amiga que vai embora, a criança que morre com as demandas da vida adulta, uma faculdade que termina, um dia maravilhoso que não volta, um relacionamento que amarga, uma nova máscara para qual a outra precisa cair…



Morri assim tantas vezes, sem velório e flores, às vezes sem um suspiro sequer- comecei a estagiar – morte rápida, como um tiro, do que era antes – e precisei sair do PET – morte de suplício, lenta, doída, que inda me deixa um fantasma agonizante. Falar de tempo e morte, nesses ternos, não é só uma elocubração para mim: também é suspiro de confessionário.


Do mito disse Campbell que é uma forma muito peculiar de fazer interagir com nosso ambiente, sociedade e um quê da psique humana que nos faz representar ludicamente os caminhos percorridos ao longo da vida – e, mais do que isso, formas de conseguir lidar com os mais profundos recônditos de nossa própria escuridão. Assim nos falam Cronos e Zeus não só da inevitabilidade das mortes, mas também que criar um passado e futuro é nossa forma de morrer sem ser engolido.


Para os finais, temos o passado da memória, para não andarmos perdidas de nossas origens, para o bem e para o mal – mas também o passado precisa se neutralizar no perdão, para seguir em frente e fazer as feridas cicatrizarem. Há a promessa para fazer o futuro, o horizonte para orientar o caminho do tempo, essa promessa de algo além do que está sob nossos pés - mas também precisamos questionar, desligar o futuro e poder olhar o vazio do fim. Com tudo isso, o fim chega – seremos devoradas ao fim e disso não há dúvida. Mas as riquezas nas formas da despedida nos dizem tanto que transfigura o morrer. Morrer para virar memória ou esquecimento, morrer pelo futuro ou para fazer voltar um passado, morrer de repente ou como se viveu, significar esse fim de mil formas dentro do projeto que tentamos construir para o nosso ser (sem sê-lo, diriam os existencialistas, e esse vazio dentro de mim me obriga a concordar).


Fazemos o nosso fim, e quanto ao meu, quero fazer coro ao poeta que diz que é preciso Sentir como quem olha, pensar como quem anda, e quando se vai morrer, lembrar-se que o dia morre, e que o poente é belo e é bela a noite que fica. Assim é. Assim seja.


*Achados pelo texto, mas perdidos por citações ABNT: François Ost, Joseph Campbell, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, o costume dos gladiadores de roma e as mentes sem autoria que pensaram e viveram seus mitos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Kyrie Eleison

Ontem foi um dia triste.

Dentro do legislativo, um choque: a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) n. 478-2007, o Estatuto do Nascituro, que tem como principal objetivo dotar de personalidade e proteção jurídica o embrião humano desde sua concepção, com todas as suas consequências e projeções nas mais diferentes áreas - principalmente na consequente restrição dos direitos das mulheres. Curiosamente, só havia uma única mulher na Comissão, que votou contra a aprovação da proposta. 


Fora do legislativo, nos gramados da Esplanada, um nó na garganta: aproveitando o ensejo da data da apreciação do Estatuto do Nascituro pela comissão, o pastor Silas Malafaia convocou uma "passeata dos 100 mil" (efetivamente 70 mil, de acordo com a organização do evento, e 40 mil, segundo a Polícia Militar) para se posicionar à favor do Estatuto do Nascituro, contra o aborto, contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc.

Contra as políticas do Ministério da Saúde (talvez pela polêmica causada por uma campanha que tentava combater o preconceito contra prostitutas em propagandas de combate ao HIV), contra as decisões recentes do STF, contra a resolução do CNJ que uniformizou a atuação dos cartórios sobre a conversão da união estável homoafetiva em casamento... Sobrou até para o Barroso (indicado para o STF pela presidência e sabatinado e aprovado pelo Senado naquele mesmo dia).

Sob o manto da "proteção da família tradicional", "liberdade de expressão" e "liberdade religiosa", montaram um palco em frente ao Congresso e passaram a tarde se alternando entre discursos inflamados de pastores e shows de cantores evangélicos.

Como alguém que se ocupa do Direito, me preocupa a pretensão da conformidade das leis de um Estado plural, que abarca tantas crenças, com os ditames de uma fé específica. Não vejo porque direitos civis básicos, como a possibilidade de casar-se civilmente e de ter sua integridade física e mental garantida, podem ser negados a uma parcela da população. Não vejo porque tantas mulheres já precisam morrer porque abortam na clandestinidade, porque um pecado deve ser necessariamente crime, e por que querem tirar o livre-arbítrio que o próprio Deus nos concedeu. Querer evitar que abortos aconteçam, na minha visão, é bem diferente de querer que mulheres que abortam sejam presas. Porque é isso que a criminalização do aborto traz: prisão para quem aborta(e, se o PL passar, em prisões de segurança máxima, pois passará a ser crime hediondo). Não ouvi uma palavra sobre acesso à contracepção, sobre educação sexual para jovens, sobre qualquer prática que efetivamente coíba os abortos, a não ser cadeia e repressão policial. Isso não é ser à favor da vida. Assim como querer impedir que pessoas se amem e sejam felizes, que famílias se formem e prosperem não é defender a família. Nenhuma família heterossexual será desfeita com o casamento homoafetivo. É a homofobia a grande destruidora de lares, que aliena os pais de seus filhos, que faz com que jovens sejam expulsas e expulsos de casa, que faz com que crianças e adolescentes prefiram se matar a sofrer a rejeição de amigos e família.

Mas o mais duro e triste para mim dessa história, para além das tantas objeções políticas, não foi apenas por ser feminista ou estudar Direito - é como luterana, como cristã, que eu choro. Foi em nome de meu Deus que essa passeata foi convocada, e eu simplesmente não consigo, intelectual, emocional ou espiritualmente, conciliar a ideia do Deus amoroso e misericordioso ao qual dirijo minhas orações todas as noites, que se compadece das pessoas oprimidas, com a necessidade de, em Seu nome, restringir direitos de pessoas que já sofrem tanto nesse mundo.

 Mas ouvir do meu estágio os ecos das falas e músicas da passeata durante toda aquela tarde foi a gota d'água. Não é apenas o crescente horror ao ler cada dispositivo do Projeto de Lei, não são apenas as notícias com trechos de falas absurdas, como a que o próprio Malafaia proferiu e "disse para anotar que acha militantes da causa LGBT fundamentalistas do  lixo moral". Não. Aquilo tudo acontecia lá do meu lado, e, mesmo que as palavras não fossem muito discerníveis pelas distorções e ecos, eu conseguia ouvir e sentir o tom de voz agressivo com que se gritava nos microfones, cheias de raiva, de ódio - e o nome do meu Deus estava no meio. Ali, livremente falado, associado ao ódio a quem é diferente, à perseguição, ao ignorar o sofrimento e a morte de tantas mulheres, querendo julgá-las, prendê-las por atos desesperados. Ali, em meio a um frenesi de ódio que até um pastor de uma das igrejas apoiadoras, que tinha uma bandeira colorida, foi agredido e expulso do palco porque sua bandeira colorida  lembrava a bandeira do arco-íris.  O nome de Jesus, que tanto pregou o amor, o respeito, que estendia a mão para as pessoas que toda a sociedade rejeitava, associado à vontade de julgar, controlar e manter discriminações históricas. Jesus, cujo mandamento radical é o do Amor!

João 15-12: "Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.".

Não era um eco do amor de Cristo que eu ouvia, que eu lia, que eu sentia naquelas horas em que mal conseguia me concentrar.

Minha ideia inicial era a de fazer uma pequena análise dos pontos mais absurdos do Estatuto do Nascituro, falar dos perigos das ameaças à laicidade do Estado, mas não vou conseguir fazer isso agora. É de madrugada e eu estou chorando muito para articular de forma satisfatória os meus pensamentos.

Em matéria de esfera pública, só há que se respeitar a liberdade de expressão dessas ideias, por odiosas que sejam*, e mobilizar-se para que outras vozes também sejam ouvidas, e que as garantias fundamentais previstas na Constituição sejam respeitadas...

Agora, no silêncio da madrugada, só consigo erguer meus olhos para cima e e pedir por piedade.

Tem piedade, Senhor, das crianças que se sentem rejeitadas porque não se conformam a estereótipos de gênero pré-formatados;

das famílias desfeitas pelo ódio e pelo preconceito, das mães e pais que perdem filhas e filhos porque não conseguirem ver um ser humano para além de um rótulo que são ensinados a odiar;

das mulheres que tomam, sozinhas, decisões difíceis e dolorosas, arcando com as consequências de estar à margem da lei enquanto toda a sociedade se mobiliza apenas por um embrião, esquecendo que necessariamente haverá o corpo de uma mulher e todo um contexto social em que toda a carga da maternidade cai sobre ela;

das mulheres negras e pobres, que pagam com suas vidas, em abortos clandestinos, todo o desespero que sentem diante de uma situação que elas julgam insustentável;

das vítimas de estupro, que, para além do trauma e do sofrimento indizível pelo que passam, correm o risco de terem uma relação de dependência econômica com o estuprador, que figuraria como pai na certidão de nascimento;

das suas filhas e filhos que são chamadas de "lixo moral" por lutar por uma sociedade mais igualitária;

e também, Senhor, das pessoas que se deixam carregar pelo medo a tudo que é diferente, e acabam recaindo no ódio, se afastando de teu Amor infinito.

Kyrie eleison. 



* Não pretendo entrar aqui no mérito do discurso de ódio e incitação à violência. Isso é história para outras madrugadas...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Chuvas de Janeiro


Nas eternas expectativas de ter tempo para escrever das outras viagens (que tanto, tanto me impressionaram e renderam páginas e mais páginas manuscritas), fico nesse vácuo do blog, hesitando em escrever coisas pequenas. Mas não significa que eu não esteja escrevendo. Não significa que eu não precise escrever. Então eu volto.

Em 2013, decidi ter duas agendas: uma para escrever em caneta vermelha de compromissos, riscar furiosamente o que eu já fiz e anotar coisas de vida e de ocupação, tenho também uma outra agenda para escrever com mais calma o que penso. O que me fez pensar naquele dia, uma música, um acontecimento, uma raiva, um continho...

E em janeiro, só choveu.

Não é a primeira vez que eu fico em Brasília em janeiro, mas é a primeira em que convivo tão cotidianamente com as chuvas. O céu em tons de cinza que vão do mais pálido, quase branco até um azul e violeta furioso de tempestades; a penumbra no meio do dia, e a noite que chega mais cedo, e o sono letárgico que cai sobre a paisagem sem conseguir ser ignorado pelas pessoas que tentam fingir que a vida segue normal... Ah, sim, nós nos sentimos miseráveis com a chuva. Mas, pensando bem, talvez até mesmo um tipo quase gostoso de mal-estar...

Aqui vai a sucessão dos dias:

2

Heidegger gostava de música? Isso é importante. 

Freud tinha resistência, e eu assustei, quis negar e fugir. Darwin, eu entendo. Nabokov tinha a literatura - mesmo quem não toca, poderia gostar. Mesmo gente surda sente ritmo, vibra, ai Beethoven - mas ouvir, saber e não gostar, e resistir? Não.

Deus, por favor, tire os meus olhos mas não me tire a música, as vozes e toques que sõa minha vida. E se for para cair demente, que caia o lado lógico e espacial, mas me deixe arte e beleza e ser desinibida... Ler o Oliver Sacks dessa vez [estava relendo as Alucinações Musicais] me cobriu de medo pela fragilidade...




5

Queria ser a profeta da Deusa que, de todos os seus milagres, tem como maior o Existir. E em seu altar sacrificaria as potencialidades maravilhosas da mente, do corpo, da alma, para me quedar, sem nada fazer, em um templo de não ser ninguém e nada ter feito ou a fazer. Em saudação a Dionísio, só vinho - e o tempo de minha vida a ser sem fazer nada no estupor de existir...



10

Escrever me distrai da angústia e do medo, porque justamente ao escrever "angústia" e "medo" que elas saem de monstros abissais do meu pensamento para meras palavras no papel, de meu vórtice interno para linhas, de algo simples e riscável. Mas há dias que eu queria que minha mão fosse mais rápida do que a luz, que eu pudesse esvaziar a minha mente em mil linhas tortuosas de tudo o que me angustia e ser vazia, e ser = mas não.  Só uma linha de cada vez, só projeto eterno do interminável e possível, e só a morte para me colocar em frente ao Absoluto. Quero e não quero dormir porque o amanhã não me traz paz - mas o sono traz o esquecimento. Quero e não quero companhia porque a solidão só traz a mim mesma como ingrata interlocutora, e ainda desejo meus amigos e seus afagos de olhos - quero ser amada, mas não sei nem se sou algo de bom para se amar.



11

Pirenópolis chuvosa tem cheiro de calma e conciliação.

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Heidegger na rede e o Rio das Almas.

Por que esse rio é o Rio das Almas? No meio da chuva ele é turvo e volúvel, saltando raivoso sobre as pedras de seu leito. O nome o dá ares solentes, sombrios - é o Estige brasileiro, testemunho de juramentos em tempos coloniais? É o cenário de mortes e afogamentos ou chacinas, com os brancos de espuma levando as almas dos que já ficaram? O rio das almas, ele mesmo, é só água que corre - mas no encontro com a minha mente se faz da água sinistra ou sublime história, e as almas correm no rio como corre minha alma aflita...



13

Claro que fui fazer o trabalho de existencialismo. Não há outro jeito, eu precisava da angústia para escrever, da madrugada, do silêncio e de uma folguinha na casa para poder escrever. Mesmo assim, dormi 4 horinhas.


15

Chuva cheia de desejo que deixa a madrugada cheia de volúpia. Fui tocar meu desejo pela madrugada.

Chuvas de janeiro não são só por fora. A água que cai por dias, sem grandes tempestades, mas com o paradoxo de um mundo tão cinzento, mas tão cheio de vida. Morte no céu, renascimento na terra. Num verde quase furioso brotando sangue de lama, a natureza suavemente mostra que não existe para nossa conveniência.

As chuvas de janeiro nos encolhem nas casas e carros, tentando alguma proteção não do terrível, mas do fino e do inexorável. Tentamos, mas não conseguimos. Por que em algum momento precisamos nos submeter à umidade que entra até os ossos, através de capas e guarda-chuvas, para entrar nos olhos e cabeça, para pinicar nossos sentidos e nos fazer pequenas e miseráveis.

E mesmo dentro das casas, a chuva entra na mente. O barulho, as janelas embaçadas, o mundo que para sua atividade para pensar. Contemplativo até demais para manter a produtividade das máquinas, que leva a um tempo mais lento, de crescimento e espera, de dançar na chuva e deixar crescer a alma...


17

Quando criança ela tinha um elefante azul. Era pequeno e de cor bem berrante, que sempre tentava se esconder desajeitadamente quando a mãe chegava. Mas, por mais ridículo que fosse o esconderijo, a mãe não via. Assim ela brincava em seus dias e nunca estava sozinha: divertia-se com seu elefante azul. Quando ela cresceu, ficou grande demais para ver seu elefante azul, que agora, muito sabido, se traía agora só em espasmos do seu esconder-se da dona: vivia por dentro, movendo se através dela em movimentos proibidos. Às vezes queria sair furiosamente e a menina se transbordava em angústia. às vezes queria se sentir confortável e causava uma enorme vontade de tudo o que é escondido. Desejo era seu nome, e quando as outras pessoas não conseguiam mais ignorar o elefante na sala, ele, enfim, estava livre: desejo avassalador que podia pisotear em todo o resto. Que não me venham os falocêntricos achar que isso só acontece com quem tem tromba - porque dentro dela, na calada da noite, às vezes parece que há uma manada inteira.


19

Os dias de ressaca tem sua poética não-contada. A preguiça de acordar, o languor que a segue. AS lembranças boas ou mortificantes das pequenas dores que o ontem fez. A cabeça enebulada, as conversas embaraçosas, o dia tirado para ser consequência - para viver gostosamente os frutos de ontem.

26

I'm singing in the rain
Just singing in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again

I'm laughing at the clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love

Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain,
I've a smile in my face

I walk down the lane
With a happy refrain
Just singin' singin' in the rain

Dancing in the rain, I'm happy again
Just singin' and dancin' in the rain.