segunda-feira, 25 de julho de 2011

Essa saudade bandida...


Amor e saudade... Desde aqueles momentos de DR mais tensos, até as conversas mais descontraídas acompanhadas de uma(s) cerveja(s), é um assunto praticamente impossível de se evitar em uma conversa com um ser humano que tenha um mínimo de sentimentos.

Interessante é ver o que o titio Derrida teve a dizer no assunto - depois de dizer da impossibilidade de responder a pergunta e zoar um pouquinho a entrevistadora, ele coloca um ponto interessante - o do amar "alguém", ao invés de amar "algo em alguém" - ou seja, do famoso amor incondicional...

Poderia seguir com algo profundo ou filosófico, mas o que me motivou foi tão prosaico...

O fato é que uma percepção mais clara de como é experimentar esse amor são as coisas estúpidas que nos dão saudades.

Eis que nesse tempo de férias, às vezes a família, namorado ou amigas e amigos ficam longe, e lá vem aquela saudade traiçoeira, que ataca quando menos esperamos. Algumas vezes em uma música que toca em um café, ou um objeto que lembra algum tempo, ou algum filme que todos iriam gostar - em geral lembranças de bons tempos, justamente das coisas que, a princípio, podem ser um fator de aproximação entre as pessoas...

Mas quando a saudade bate naqueles momentos que trazem lembranças de coisas irritantes ou desagradáveis , o que pensar?

Já me disseram que o tempo faz com que as memórias ruins sejam apagadas ou atenuadas, mas eu penso que que quando você quase fica com os olhos molhados ao ouvir um funk que o seu irmão (que está viajando sozinho pela primeira vez) cantava com o exclusivo objetivo de irritar, aí imagino que não haja outra resposta: isso é, sim, amor incondicional.

domingo, 3 de julho de 2011

Do fundo do baú (1) - escrever!

Meu "eu" de 16 anos era um bichinho curioso, tão próxima e tão distante do que eu sou hoje... Era mais tímida, mais sofrida, querendo negar todos os meus sentimentos para sobreviver a um ambiente escolar hostil - mas ao mesmo tempo, com os germes das ideias que me movem ainda hoje, de muitas pedras basilares de meu pensamento...

Re-encontrei um caderno antigo em uma madrugada meio desesperada, quando precisava escrever e não encontrava um caderno vazio... Acabou que escrevi só um parágrafo, e passei boa parte da noite vendo as coisas que eu já tinha escrito, pensamentos e confissões, ideias ingênuas ou sombrias, que talvez tenham alguma interesse para cá. Entào, para aproveitar meu silêncio atual (não de temas, mas de tempo e disposição para escrever), aqui vai um deles, sobre, justamente, escrever: 



Desde pequena, escrevia livros. Tinha meus planos de fazer histórias, ou até mesmo um quase-dicionários sem os significados (na época (tinha uns 6 anos de idade), meu plano era incentivar as pessoas a usarem os dicionários se ficassem curiosos com o significado das palavras)  Mas nunca cheguei a terminar. Comecei, então, uma fanfic em um caderno aos 10 anos - e eu nem sabia o que era fanfic! Desde que me lembro imagino histórias, com complicados enredos que vinham a mim à noite, que me entretinham antes de dormir.

Sempre fui muito ligada à ficção. A realidade sempre era um borrão, a tela onde meus sonhos eram tecidos, onde cada corredor cinzento da escola era uma avenida larga e cheia de possibilidades. Amigos imaginários, cavalos, dragões... Em algum momento, estiveram sempre comigo. Livros, filmes e fantasias eram tão reais quanto os cadernos em que escrevi mais tarde, e minha infância fluiu tranquila.

Foto minha (reconhecível pela caneca do Fantasma
da Ópera) 
Então veio a adolescência, mas meu mundo ainda estava lá. Fiz poesia, vivi paixões em sonhos e comecei a escrever realmente. Depois de uma tempestade na minha vida, traição e exílio, a coisa mais improvável me tirou da ficção: me apaixonei. Por um ano não toquei na caneta, apenas para escrever para ele, talvez... Não mais para mim. Mas passado este ano eles voltam... Não sonho mais com a realidade, mas meu mundo se povoa com novas histórias, para me anestesiar, talvez, de uma realidade que se fecha sobre mim.

Me sinto sozinha.

Em um humor muito "barroco", cheio de contradições. Meu mundo de ficção, escrita e criatividade voltou, mas ainda não mergulhei nele: não consigo escrever mais tanto. Preguiça? Medo de compromisso? Faço um agora: esse caderno terá de tudo - mais um dragão para meus pensamentos, desenhos, sonhos, poemas, rabiscos... 

Meu. Caderno.

Para tudo que eu precisar.