terça-feira, 24 de maio de 2011

Lua adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles


Percebi que tenho, entre os tantos humores que me tomam ao longo dos dias, dois temas principais que definem os feixes de sentimentos: o "pra fora"e o "pra dentro"- ou, como um amigo comparou, a supernova e o buraco negro.

A supernova é a fase expansiva, que quer sair de casa e conquistar o mundo. É a fase de ter conversas longas e francas, de ficar indignada e reagir às coisas do mundo, tomada por uma energia quase nervosa que me impele a procurar mundos, textos e pessoas, a tocar novas músicas e ouvir novas ideias, conhecer os universos que são as pessoas, de interagir intensamente com tudo à minha volta...

E tem o jeito que estou agora.

O buraco negro não é um estado de espírito infeliz ou mesmo melancólico - dessas classificações talvez eu fale um pouquinho mais tarde - ele é simplesmente... introspectivo.

É o tempo de querer ficar quietinha no meu quarto - ou mesmo quieta em meio a uma multidão, sentada em um banco no parque (ou, como é o caso agora, em uma carteira na sala de aula que se enche de alunos)... É o momento de contemplar, e não de agir. É o de ouvir velhas músicas e ver novos significados, de sentir com calma cada sensação e pensamento que passa pela minha cabeça, de interpretar textos e ler poesia, de ficar abraçada à família e àqueles mais próximos...

E por que, afinal, estou escrevendo isso?

Primeiro ( se alguém lesse isso aqui) poderia ser quase uma clarificação do porquê eu fico "na minha" por alguns tempos, que isso não é algum problema pessoal ou alguma tristeza, mas um estado de espírito que também tem as suas belezas...

A própria natureza do que escrevo aqui, na verdade, reflete esse estado na medida em que não consegue ser combativo - queria até escrever sobre a dificuldade de aceitação da introspeção, do olhar para dentro em face a um arranjo social que prega e privilegia a comunicação ( mesmo que restrita ao mundo virtual), enquanto a solidão de estar também "desconectado" é vista com certa desconfiança -( imagine só ficar o dia inteiro sem se comunicar, só que esse comunicar também pode pressupor uma solidão, contanto que ela seja relativizada por uma tela de computador...)

Enfim, essa tendência a descarrilhar o trem da frase talvez seja um desses sintomas. 

É um tempo de celebrar um tipo de solidão, não da incompreensão e náusea existencial, mas a da contemplação daquilo que é particular, de ver a lua e saber que ninguém mais vê tudo exatamente daquele jeito, exatamente com aquele humor ou com aquela música tocando sem parar na sua cabeça...

Tempo de redescobrir as sensações de nosso próprio corpo e mente, de como cada nota de uma música soa diferente quando estamos de olhos fechados... 

Talvez isso seja um corpo cansado forçando a mente a desligar do turbilhão de informações e interações para olhar e acalmar os turbilhões internos, e como eles são igualmente ricos!

Então estou aqui para ser um pouco sozinha, para falar com Ninguém.

Por hoje é isso...

domingo, 22 de maio de 2011

Salto alto: dor, controle e mobilidade.

Escrevo agora no meio de uma aula, com certo desconforto em meus pés - não, não estou sentada com um sapato de salto alto, e sim de meias e all star - em verdade, eu usei um sapato de salto alto domingo passado, e as tiras da sandália deixaram os meus dedos em carne viva - e as casquinhas de ferida ainda incomodam quando uso tênis fechados. 

Confesso que minha tolerância a sapatos desconfortáveis é baixíssima - passaria minha vida inteira usando havaianas, sapatilhas e tênis se eu pudesse. Assim, grande parte da justificativa para meus "padecimentos podológicos" poderia ser o fato de eu não estar nem um pouco acostumada a esse tipo de calçado, a mal aguentar em pé depois de um dia usando um salto, por menor que seja...

Então, é claro, o meu problema não é o fato da prática social de usar salto alto ser torturante - é só que eu não me adaptei direito ao sistema. Deve ser esse o preço que tenho que pagar por ter tido uma infância e adolescência de pés confortáveis - uma transição mais dolorosa para meus pés mimados.

É claro.

Mas não é exatamente do como o salto alto é torturante, doente e bizarro que eu queria comentar hoje- e sim de algumas consequências interessantes que esse uso tem em relação ao controle do corpo da mulher (e das meninas, se a gente for pensar no quão cedo elas começam a usar esse tipo de instrumento de tortura sapato.) 

Uma rápida pesquisa no google aponta para diversos links que brevemente sobre a história do salto, de origem desconhecida, mas que aflorava ao longo da história para denotar status social, de acordo com a altura que a pessoa alcançava, assim como à sexualidade - as prostitutas de Roma Antiga eram reconhecidas pelo seu salto. Outras bizarrices incluem sapatos tão altos que as mulheres precisvam de bengalas para andar neles, e o fato do imperador do Japão ter sido coroado usando uma plataforma de 30 cm, mas a informação mais interessante, no meu ponto de vista, é o fato de concubinas chinesas e as odaliscas serem obrigadas a usar salto para evitar fugas de seus respectivos haréns...

Então, usamos orgulhosamente nosso grande amigo salto alto: indicador de classe social, muito louvado por suas relações (simbólicas, e não causais) com a sexualidade e, no final das contas, um interessantíssimo instrumento de controle. 

Controle porque, equilibradas em nossos sapatos que diminuem nosso centro de massa, temos um equilíbrio reduzido. Em todas as artes marciais, uma das coisas mais importantes é manter a base - os pés firmemente plantados no chão, pernas separadas, por vezes o joelho levemente flexionado - e o que acontece quando precisamos apoiar todo o nosso peso ou no peito do pé, ou em um fiapinho fino que sustenta nosso calcanhar inteiro? Defender-se de qualquer pressão aplicada sobre nós - um empurrão, alguém puxando nosso braço - fica um tanto quanto mais difícil quando, a depender do salto, ficar em pé e andar exige muito treino e disciplina.

Controle porque nem começamos a falar da capacidade de andar e de correr, de expressar-se corporalmente de forma mais livre e exuberante - uma das coisas que mais me partiu o coração neste documentário a respeito da forma como a propaganda afetava as crianças é o fato de que meninas pequenas não brincavam no parquinho na hora do intervalo porque estavam usando salto alto... A energia da infância, por fim, encontra o limite de ser "uma mocinha" - existe forma mais eficiente de controlar uma criança do que colocá-la em uma situação que ela não possa correr, pular ou fazer bagunça? Mais efetivo (e, pelo que vejo, menos chocante) do que colocar uma coleira. Não, não imagino que os pais tenham exatamente isso em mente quando decidem comprar uma coisa dessas para uma criança - mas não é exatamente esse o efeito?

Já crescidas e devidamente domesticadas, os saltos vão aumentando, e com ele uma série de restrições - fora a questão do equilíbrio, o salto impede a mulher de dirigir - ou melhor, a lei proíbe - e restringe o quanto (e onde!) a mulher pode andar: já pensou precisar caminhar mais do que algumas quadras empoleirada em um negócio desses? Ou pior, precisar andar por um terreno sem calçada ( tão comum aqui em Brasília), ou com uma calçada tão irregular que torna-se quase um rally?

Aqui revela-se outro aspecto perverso do salto alto: sua "beleza"e o status social que seu uso traz só é realmente acessível a quem não precisa andar distâncias consideráveis ou enfrentar obstáculos no caminho (como, por exemplo, uma escada de ônibus), ou seja, quem possui um carro e, de preferência, tem alguma outra pessoa que possa dirigir por ela - novamente, nada de autonomia.

Andar de sapato de salto alto significa, enfim, um pé torturado, um corpo de equilíbrio vulnerável e uma autonomia e mobilidade comprometidas. Por que nos submetemos (por vezes diariamente) a isso, mesmo?

Ah sim, a beleza! 

Assim, depois de achar o calçado mais confortável que a beleza permita, que - pelo menos - não deixa dedos em carne viva, precisamos aguentar a dor até que nossos pés estejam deformados o suficiente para caber naquela posição o dia todo, lidar com calos e joanetes... Mas olha que elegante que a mulher fica!

Depois todo mundo acha absurdo quando mostram alguma "cultura exótica" em que as pessoas se submetem a rituais dolorosos e "sem sentido", ai esses bárbaros, esses malucos que fazem essas coisas estranhas (!) porque não conhecem nossa cultura, tão livre e digna...

...tudo porque alguém queria que as concubinas não escapassem do harém, então obrigaram-nas a usar sapatos que as impossibilitavam de correr para fora, para a liberdade... Sapatos que fragilizam o equilíbrio e restringem a mobilidade...

Mas aí vejo o tanto de coisas incríveis que mulheres conseguem fazer, mesmo com o salto alto, e o meu lado poético abre suas asas para ver as concubinas chinesas correndo com seus saltos, depois de tanto tempo de dor da adaptação: depois da dor e dos calos vem o domínio sobre nossos pequenos torturadores, não só pela conformação (não muito saudável) dos pés a essa nova situação, mas com uma mobilidade recuperada.

Afinal, estão as trabalhadoras "vestidas para a guerra" equilibradas em seus saltos, andando, correndo e desbravando o espaço público que outrora era dominado apenas pelos sapatos sociais "levemente desconfortáveis", com o passo firme; 

Temos dançarinas que têm um domínio tal sobre seu corpo que tornam os saltos extensão de si mesmas, realizando movimentos que fazem o meu tornozelo torcer só de olhar... Não é um sapato de salto que vai deter os avanços das mulheres - como tantos outros estimgas e obstáculos, eles são incorporados ao resto da carga, contornados e agora eles, domesticados pelas mulheres que, com ou sem dor, sabem muito bem onde pisam e onde querem pisar.

Por vezes fico pensando em como o sapato de salto é quase que uma metáfora para a entrada da mulher na esfera pública - aquela que, no seu caminhar encontra exigências externas esdrúxulas e injustificadas, ainda assim passa pela dor que os outros não precisam passar e, mesmo com uma fragilidade imposta pelo sistema social, consegue trilhar os mesmos caminhos que o resto, também podendo criar os seus próprios...
Ouve-se voltimeia aquela frase "Fazemos tudo que o homem faz, e ainda de salto alto!"

Mas meu questionamento, no final das contas, é o seguinte: imagine então tudo o que podemos com os pés firmemente plantados no chão! 




sexta-feira, 13 de maio de 2011

Contra o tempo (e contra o método...)


Esse post foi escrito para ser postado ontem de madrugada, mas como o blogger saiu do ar, vai agora mesmo ^^ 



""Eu deveria estar dormindo" - provavelmente essa frase será ouvida lida inúmeras vezes ao longo de tantas viagens - talvez porque a noite seja minha mãe criativa, talvez porque a calma e o escuro sejam o berço de palavras - ou talvez porque fico sem tempo mesmo durante o dia.

Minhas olheiras me dizem que a Universidade conseguiu tomar uma parte considerável de meus dias - para enchê-los de pessoas e livros, queridos e fascinantes - mas também não tenho muito o que reclamar. Minha mãe fez duas faculdades e trabalhou ao mesmo tempo, e conseguia balancear tudo e cumprir bem suas tarefas - sem falar nas tantas mulheres que contam com uma dupla, tripla jornada de trabalho e não tem este trabalho sequer reconhecido...

Começo então, reconhecendo o meu privilégio de poder me dedicar exclusivamente aos estudos - e talvez seja por esse reconhecimento que eu quero beber de forma sedenta cada gotinha de experiência que eu puder ter, mergulhar de cabeça em tudo o que eu puder explorar, aprender, conhecer...

...mas se engana redondamente quem pensa que isso significa pegar um monte de matérias, assistir todas as aulas e tirar as melhores notas possíveis...

Afinal, isso é apenas uma das (muitas) possibilidades.

Indubitavelmente, precisamos todos estudar, mas como, no meio de tantas coisas interessantes acontecendo, e livros outros para ler, e "pessoas diferenciadas" (hehehe) para conhecer e conversar e aprender imensamente...  Além disso, como estruturar o nosso "estudar" para caber nas limitadas horas do dia, na necessidade (tantas vezes ignorada) das horas de sono, nos mil projetos interessantes e artigos e coisas...

Pela minha experiência, a melhor coisa é método nenhum.

A escola, por vezes a família, e principalmente os cursinhos nos colocam na cabeça uma ideia de método, de tantas horas por dia, de estudar em tal lugar e de tal jeito... Aquela padronização básica que caracteriza grande parte de nossa forma de aprender as coisas.

E exatamente o tipo de coisa que me faz morrer por dentro.

Veja bem, não estou falando do fim da disciplina - oras, você precisa estudar e ler muito até para fazer o que gosta, seja escrever um artigo, ter uma discussão embasada ou tocar violino - mas a forma como estruturamos isso já é outra história...

Uma das coisas que mais me impressionou na leitura de"Contra o Método", de Feyerabend, para epistemologia jurídica (sim, lido de última hora, se você vai perguntar) é que a anarquia epistemológica era necessária também porque:
Sim, ESTE é o Feyerabend


"O mais forte argumento contra qualquer método que estimule a uniformidade, quer seja esse método empírico ou não (...) Dá forças a um conformismo sombrio e fala de verdade; leva à deterioração das capacidades intelectuais, do poder de imaginação e fala de introvisão profunda; destrói o mais precioso dom da juventude - o enorme poder de imaginaçõa - e fala em educar."

As colocações que o Feyerabend fala são bem mais radicais do que aquelas que eu falo agora - ele fala sobre a metodologia de todo o conhecimento humano - mas convenhamos que os métodos de se ver o dito "aproveitamento de tempo" e os estudos são realmente duvidosos.

Por vezes, vejo quase uma culpa católica no ato de estudar - é uma mortificação do corpo (e da mente!), um sacrifício em nome do ganho que é o diploma, ou a nota boa, e completamente diferenciada do prazer...

Mas isso é completamente compreensível quando nós vemos o jeito que somos apresentados ao "estudar" - precisamos nos distanciar dos outros, tirar todos os estímulos outros, e aprender a matéria de forma linear, de preferência reproduzindo em fichamentos ou exercícios...
 
Memorizar, reproduzir, no máximo dos máximos, articular...

Não vou entrar no tema dos objetivos da educação para não passar a vida escrevendo, mas quero só manifestar como eu fico incomodada com os apelos à padronização da forma de estudar, que de racionais, se vamos ver, não tem lá muita coisa...

A primeira coisa é um sentimento de finalidade, ou, melhor do que isso, uma paixão, praticamente uma sedução pela matéria em questão:

O meu primeiro exemplo são as músicas que eu tocava no vionlino. Confesso que nunca fui uma violinista de tocar todos os dias, de conseguir fazer os exercícios e escalas certinhos e etc - mas quando amava uma música, chegava a passar o dia sem almoçar na escola para poder ficar aquela hora em alguma sala, tocando e tocando e tocando... Seja uma apresentação para a qual eu queria me preparar, ou a simples paixão pela música, isso fazia toda a diferença entre 15 minutinhos que eu me forçava e cansava, ou 2 horas que eu nem sentia passando...

O segundo exemplo é de minha mãe e o Direito Tributário. A princípio, não há nada mais enfadonho - a grande arte de cobrar impostos, uhul! - mas é só ver o brilho nos olhos dela quando fala dos cofres dos contribuintes e a utilidade do que ela está fazendo, que até as coisas mais abstratas tomam vida e interesse.

Paixão, emoção, ou até mesmo tesão - por que esses sentimentos tão essenciais acabam passando longe de nossa concepção tradicional de estudos?

Da minha parte, a vida é boa com a intensidade, e frustrante pela metade.

Entendo que o meu sono é tão importante quanto ler tudo antes de uma prova, e que estar feliz e relaxada fazem meia hora de estudos render muito mais do que duas horas infelizes batendo a cabeça na escrivaninha. Sei que reprimir tristezas ou emoções dizendo "tenho que estudar" é meio que besteira, uma vez que a associaçõa negativa dos estudos com os sentimentos vão fazer o cérebro praticamente querer apagar aquilo tudo - e lá se vai o tempo de estudos...

Tudo bem que essas concessões fazem com que os meus momentos de estudos sejam todos intensos - ler muito em pouco tempo, fazer trabalhos nas janelas de inspiração, ficar horas obcecada com uma mesma coisa, falar obsessivamente de minhas áreas de estudo preferidas na mesa de jantar ou em conversas coloquiais...

Enfim, não separar os estudos de minha vida afetiva e social, tentar não separar, enfim, nada de nada.

O resultado final? Muita adrenalina acadêmica...


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Não: devagar.





Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.


Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...


Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
TaIvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Álvaro de Campos- Fernando Pessoa


Pego as primeiras palavras deste novo blog emprestadas, seja talvez por uma insegurança natural que me faz ser horrível com os começos, seja por concordar tão absolutamente com o autor nesta poesia.
Nestes momentos de começo, minha tendência é começar quase com um manifesto, delimitando objetivos e dizendo as mil coisas que vou fazer - mas desta vez, começarei devagar a divagar, já que, de fato, não tenho a mínima idéia de onde quero ir.
Só sei que há um mundo de coisas interessantes para serem ditas, um mundo de pensamentos que só em minha cabeça (ou nos ouvidos de algumas pessoas queridas) ficam circulantes e sufocados – e, quem sabe, não possam ser interessantes para alguém? 
Portanto, com aquele empurrãozinho na forma de um quase-desafio, aqui vou aventurar-me pela escrita, quando puder roubar um tempo de minha vida de estudos e procastinação... Veremos, então, por quais caminhos este aqui me levará...