segunda-feira, 9 de maio de 2011

Não: devagar.





Não: devagar.
Devagar, porque não sei
Onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos
Uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou
Uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.


Devagar...
Sim, devagar...
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar...


Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
TaIvez a impressão dos momentos seja muito próxima...
Talvez isso tudo...
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar...
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo...
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
Álvaro de Campos- Fernando Pessoa


Pego as primeiras palavras deste novo blog emprestadas, seja talvez por uma insegurança natural que me faz ser horrível com os começos, seja por concordar tão absolutamente com o autor nesta poesia.
Nestes momentos de começo, minha tendência é começar quase com um manifesto, delimitando objetivos e dizendo as mil coisas que vou fazer - mas desta vez, começarei devagar a divagar, já que, de fato, não tenho a mínima idéia de onde quero ir.
Só sei que há um mundo de coisas interessantes para serem ditas, um mundo de pensamentos que só em minha cabeça (ou nos ouvidos de algumas pessoas queridas) ficam circulantes e sufocados – e, quem sabe, não possam ser interessantes para alguém? 
Portanto, com aquele empurrãozinho na forma de um quase-desafio, aqui vou aventurar-me pela escrita, quando puder roubar um tempo de minha vida de estudos e procastinação... Veremos, então, por quais caminhos este aqui me levará...

Nenhum comentário:

Postar um comentário