Então o facebook me diz que é dia dos avós - coincidindo com o último dia da minha avó em Brasília - e parece que o tema de hoje estava praticamente predestinado. Poderia falar de uma infância sentada na mesa da cozinha, aprendendo as dicas de cozinha que livro nenhum ensina e ouvindo as tantas histórias da guardiã de memórias da família. Poderia falar das férias passadas em meio a óperas, hortas e conversas em alemão, ou de caminhadas de manhã na praia, vendo o sol nascer. Podia falar o óbvio, enfim: da saudade imensa que vou sentir.
Mas um pequeno olhar para a vida desta mulher fantástica que, aos 80 anos, fez questão de vir a Brasília só para me dar um abraço antes da viagem, e uma das suas (muitas) notáveis características chama a atenção: o amor pela sua família nos dá asas, e não correntes.
Uma olhadinha na árvore genealógica e vê-se que está espalhada pelo mapa: a filha mais próxima vive a uma distância de mais de 1000 km, o outro filho na Alemanha. Distâncias grandes, facilitadas pelo skype e whatsapp que ela já domina tão bem, mas ainda sim difíceis.
Mas ela também é a primeira a aplaudir nosso sucesso, a encorajar voos mais altos, a ficar feliz por nos ver seguindo caminhos longos. Ela que acompanhou cada passo da carreira da minha mãe com paciência e carinho, sempre pronta para ouvir desabafos e dar conselhos, e que agora vibra com cada novo passo na minha carreira acadêmica. Ela que fala de saudade também, mas sempre incentivadora, mesmo quando seria mais agradável ter filhos e netos por perto. Ela, que acompanha nossas vidas com atenção e carinho sem ver distâncias, aprendendo a suar a internet para poder me mandar fotos de flores no whatsapp…
Oma Hella, das tantas coisas que aprendi com você, também quero aprender a ter sua força…

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