quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Vissicitudes climáticas da balada (e outras formas de diversão na neve)

Post curto, porque já é de madrugada e eu ainda tenho dois posts para ler para amanhã:

O clima muda tudo.

Seres humanos mortais que somos, esses seres inescapavalmente biológicos, pensamos que fazemos cidades iguais com a globalização. Que jovens que escolhem fazer intercâmbio podem ter a mesma experiência de sair à noite em Estocolmo e em Brasília. Que o mundo vai virar aquele espaço homogêneo e artificialmente construído, sem identidade, sem características marcantes que não aquelas que obedecem ao padrão pasteurizado e hegemônico.

Aí vem o fato de você precisar voltar para casa à 1 da manhã na neve. Nem meu deslumbramento que ainda não desvaneceu me impediu de xingar internamente quando começou a nevar no caminho de volta.

Mas vamos começar por aspectos mais agradáveis da neve -



...sua absoluta falta de atrito.

Além de produzir entretenimento gratuito na forma de pessoas comicamente escorregando e caíndo tombos cinematográficos na neve fofa, que não machuca (sendo que cada pessoa é, ao mesmo tempo, espectadora e show, em seu momento), escorregar deliberadamente pode ser muito divertido.

A velocidade, o vento frio na cara, aquela imensidão branca fazendo mudar a paisagem até conseguem fazer você esquecer, por alguns momentos, que aquela coisa branca e fofinha toda vai virar água e congelar de novo em forma de gelo nas partes mais inapropriadas das suas roupas e da sua pele. Porque a neve é a poeira congelada de água -entra em absolutamente tudo e todos os lugares, como se a natureza, em troca de toda essa beleza e diversão da neve, cobrasse um pedágio de água gelada.


(mas mesmo assim, andar de skibunda de neve é MUITO legal)


De qualquer forma, depois de ver os aspectos divertidos da neve, fomos resolver nossas coisas, jantar e ir para a festa de boas vindas que o Student's Union organizou para as pessoas que vieram de intercâmbio.

Depois da outra faceta de entretenimento gratuito que é a oportunidade de ver europeus dançando (o famoso bambuzal ao vento, que mexe de tudo, menos a cintura), e alguns asiáticos fantásticos que pareciam ter baixado o espírito do PSY, tivemos nosso encontro com a parte do "ok, tudo igual aqui" - o mesmo batae-estaca do nosso lado do atlântico, as mesmas musiquinhas...

...só o funk, sertanejo e todo o resto que deixa as festas interessantes é que fez um pouco de falta.

Mas o highlight mesmo foi na hora de ir embora. Com os táxis custando uma pequena fortuna, não era uma opção sair da região central onde era o club até nosso alojamento perto da Universidade. Então fomos pegar o metrô, para descobrir que estávamos alguns bons minutos atrasados, ou extremamente adiantados - metrô funcionava até pouco depois de meia noite, e o próximo trem seria lá pelas 5, 6 da manhã.

Como Estocolmo é uma cidade que gosta de gente, pudemos pegar a linha de Ônibus noturno, que passa em lugares-chave, incluindo um ponto perto da Universidade.

Porém, como o clima de Estocolmo não foi feito para seres humanos, nossa caminhada de 10-15 minutos foi feita numa madrugada hiper fria e com o bônus de um ventinho e neve na cara.

Só ficava pensando numa caminhada assim em Brasília, naquele friozinho leve que um abraço resolve, naquela imensidão de grama e céu estrelado...  Mas sem, é claro, os Ônibus maravilhosos para fazer com que ninguém tenha medo de blitz.

De qualquer forma, esse frio é justamente o que faz as pessoas pensarem duas vezes antes de sair à noite; sair cedo das festas para pegar o metrô, e, mais ainda, torna muito tentadora a opção de simplesmente ficar em casa... Nada de conversas na varanda até de madrugada.

Mas enfim, o sono é uma boa parte da nostalgia. Sei que quando voltar ao Brasil vou sentir falta de mil coisas aqui que já começam a se tornar óbvias... Mas por hora, me contento em ser aqui estrangeira e tentar absorver e aprender o máximo que puder... Isso é, se aguentar acordada para conseguir ler meus dois textos que preciso ler para amanhã.

(grande vitória da equipe brasileira de tombos na neve em Estocolmo)






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