Entre correrias, problemas de saúde e angústias existenciais na madrugada, senti falta de escrever. Fiquei de falar de uma viagem (dessa vez física), de fazer mil reflexões que se empilham em minha cabeça, de antigos projetos voltando, e talvez, principalmente, de uma necessidade de me sentir viva novamente...
Rubem Alves, em suas linhas deliciosas sobre tudo, com sua característica sensibilidade, escreveu um livro de pequenos pensamentos soltos, os fragmentos de um cadernos que foram publicados assim mesmo, pequenos pássaros que voam com a nossa imaginação...
Foi então que li sobre ostras - que só a partir de sua dor conseguiam fazer pérolas - conseguiam fazer arte.
E percebi, é isso que quero fazer - não textos para "esclarecer as massas", ou para falar de mim, ou para fazer qualquer tipo de terapia coletiva - mas sim para ver se, a partir do que me incomoda, não posso fazer algo belo. Não precisa ser muito grande. Só algumas frases, só um poema, só alguma coisa que faça uma pessoa que seja rir ou pensar...
E aí percebi que muito do que eu não escrevia era tanto por megalomania de querer algo grande e completo, quanto pela insegurança de começar e falhar. Queria algo útil, algo completo, algo talvez perfeito... Quando, em verdade, tudo o que eu posso querer é algo que simplesmente seja, que exista. Não quero ser condenada a ter mil ruínas construídas em minha mente, mas sentir mãos impotentes para realizar qualquer coisa...
Por isso, me forço a escrever. Arbitrariamente, o dia é hoje. Por um mês, até o dia 25 de Junho, me desafio a escrever todos os dias, nem que seja só uma frase, um pequeno verso, um comentário de citação...
Vamos ver no que isso dá.


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