Muitas ideias, muito cansaço, pouco tempo - e um texto a ser escrito. Um dia cheio de atividades, de coisas feitas, lidas, de participações - mas ao final do dia, o tempo de reflexão se esvai no sono, e na perspectiva de mais um dia ocupado amanhã.... Mas, se não tenho nem forças para escrever, vou buscar nos meus textos antigos...
E um dos mais fortes deles aflora.
Seu título é "minha auto-ajuda", escrito em um caderno antigo em garranchos de uma menina de ensino médio, que eu achei que já estava muito longe de mim - mas, relendo algumas coisas, percebo que há ainda algo de pulsante, algo de muito próximo...
Eis então as angústias de 4 anos atrás...
Minha Auto-Ajuda
Preciso voltar a escrever, e não é por vaidade.
Não é para deixar a minha marca no mundo,
Nem para extravasar minha criatividade.
Não é para me distrair no tédio,
Nem para que os outros leiam.
Escrevo unicamente para mim.
Para minha sanidade mental.
Porque meu interior se inunda de emoções que nã oposso demonstrar.
Porque o exterior é tão hostil que a tempestade interior é minha única alternativa de refúgio.
Porque a depressão está do outro lado, me chamando, e a apatia da auto-piedade parece tão confortável...
Porque as veias do meu braço pulsam tão azuis e frias, quando eu quero sentir quente e vermelho.
Porque quero ser uma rocha, quando tudo o que tenho é um coração de manteiga e uma casca de fel...
Porque minha garganta dói de engolir sapos, abacaxis, meu orgulho e tantas lágrimas...
Porque me sinto acuada por bolhas de mundo cor-de-rosa, com suas risadinhas que me reviram o estômago, que escondem a inveja e crueldade...
Porque, se eu falo alto, todos dizem que não está acontecendo nada.
Assim esparramo minha vulnerabilidade no papel
Domando a tempestade com palavras
Mãos escoando o que me arranha a garganta
Me acalmo, vou lamber minhas feridas
Aguentar as pedras e mais um dia
Sem quebrar, mesmo com tantas rachaduras
Para quando me levantar,
Quando a cobra tiver de volta seu veneno
Erguer escudos com casquinhas de feridas
Transformar cada ferida em uma lição
A antiga tristeza, em desprezo,
Pensar em todo esse processo como uma banalidade corriqueira
E sorrir.
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