quinta-feira, 14 de junho de 2012

Desafio da Ostra 20 - Nunca está perfeito.

Depois de tantos posts (e tão intensos, céus!), poderia-se dizer que eu merecia um descanso... Mas não. Compromisso é compromisso é compromisso, e aqui estou, para escrever o dia de hoje.

As ideias grandiosas é que não faltam - uma análise de gênero em Game of Thrones (que é meu vício do momento, com uma trilha sonora incessante de "Rains of Castamere" ), uma análise de "Madagascar 3", que eu acabei de assistir, ou tantas outras coisas...



Mas não dá.

A noite já avança,  o dia foi corrido, tenho sono e tantas coisas ainda por fazer - e, por mais que tenhamos tantos sonhos de perfeição, nossa possibilidade de ação aqui na Terra está necessariamente condicionada por nossa imperfeição.

Talvez seja isso que eu acabe aprendendo com o blog - que, no final das contas, se ficar sem escrever até escrever um projeto perfeito, nunca escreverei nada.

Isso não significa que eu não possa fazer coisas grandes - a série que eu acabo de terminar agora prova isso - mas mesmo ela tem suas imperfeições, erros de digitação, formatação meio feiosa... Oras, mas há tempo.

Porque, mesmo não sendo perfeito, foi o que consegui fazer. E olha, realmente ficou bonito!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

At the End of This Chapter...

Termina aqui, enfim, essa primeira viagem - em mais uma de minhas madrugadas, finalmente à par dos dias de escrever do blog, e com a sensação de ter voltado mentalmente de uma viagem longa...

Rever as fotos e relatos, depois dos meses da viagem, foi algo verdadeiramente revigorante-  trouxe de volta sensações, cheiros, trouxe de volta o frio no meu nariz e as delícias de usar protetor de orelhas. Trouxe de volta o frio em meu coração - mas um frio gostoso, um frio cinzento que é meu espelho e meu amigo, que me deixou tão assombrada e pequena enquanto estive lá.

Assim como em toda viagem física, essa viagem por fotos e diários deixou suas ausências - as fotos bonitas que não coloquei, as análises que não fiz, as partes personalíssimas do diário que achei melhor pular... Mas mesmo assim, no final da jornada, olho para trás e vejo que estou satisfeita. Sei que não fiz nenhum guia de viagem definitivo, ou mesmo consegui descrever nem metade do que me aconteceu por ali - mas se pude passar alguma coisa, um ínfimo sentimento, um leve friozinho no nariz ou um sorriso com alguma foto bonita, então o meu trabalho aqui está completo.

Afinal, posso dizer que eu me diverti horrores organizando esse relato - e que, definitivamente, esta é a primeira das muitas coisas memoráveis sobre as quais vou querer escrever por aqui.

Enquanto eu terminei a viagem física com um escorregão terrível para a realidade de aulas que já tinham começado, termino essa viagem na certeza de uma noite de sono, de uma manhã de greve e de tanto tempo a mais para pensar e refletir sobre tudo o que vi e ouvi e senti nesses dias...

No final das contas, só tenho uma coisa mais a dizer: agradecer de todo o coração à Oma, em cujo sonho de geleiras eu embarquei quase que por acaso, e tornou possível esses dias que foram uns dos mais marcantes em toda minha vida...


Viagem ao Sul do Mundo (6) - O Vento Chileno (e a volta à Terra)

 Neste dia, fomos ao Chile. Torres del Payne, Parque Nacional. Saímos às 6:00 e só chegamos ao Chile perto das 11:00. O que mais demorava eram as burocracias na fronteira. Quilômetros e quilômetros de estepe, o deserto vivo - parece cinzento e morto, mas são pasto e moitas. 


Vimos emas e uma espécie de lhama chamada guanapo - um bichinho simpático e elegante que pastava por todo o lado. Do famoso e feroz puma, só as carcaças de guanacos que viraram refeição...


Ficamos muito tempo no ônibus, vendo o parque, e sinto que vi e senti pouco - queria caminhar e acampar por dias! 



Aqui, o vento (esse componente natural que dominou o dia) já se fazia sentir nos cabelos desarrumados e no cachecol dançante...

Vimos lagos de todos os tons de azul, cachoeiras e rios, montanhas nevadas e geleiras ao longe - vimos estepe amarelada e bosque verde - e o preto e cinzento da devastação por fogo e pela estupidez humana. 
 
O verde-claro de um lago era por causa de um micro-organismo que vivia lá, e é interessantíssimo ver como as cores contrastam em um espaço tão pequeno...



No pico da montanha, o que mais impressionava era o vento soprando as neves - além de seus assustadores assobios por entre as montanhas, víamos a evidência física de sua presença pela neve que se deslocava em nuvens no pico da montanha. Imagine só como deve ser estar lá em cima...


Embora eu pareça toda calma (embora já com o protetor de orelhas) nesta foto, só chegar até a cachoeira foi uma pequena aventura:

Mas o que mais me marcou o dia foi o vento - forte, uivante, por vezes eu achava que ia cair ou voar...


Uma caminhada até o mirante da cachoeira, teve uma subida e vento fortes. A grama amarelada tremulava em vida e os galhos cresciam curvados, as folhas das árvores balançando. O vento enchia meus ouvidos de seus clamores, me empurrava e puxava, brincava com o meu cabelo e cachecol, secava meus olhos e avermelhava meu rosto. Vendo de rachar a boca e tirar o fôlego, leve de ar mas fortíssimo e quase sólido quando se jogava sobre quem ousasse dobrá-lo.



Com os incêndios no parque (provocados por turistas imbecis há anos atrás!) fui defrontada novamente com tanta fragilidade - os campos que continuam pretos e mortos depois da tragédia por anos a fio, a natureza que, ferida, se recupera lenta e ainda é castigadas pelos elementos... Enfim, era triste ver o quanto do parque passava com tanta rapidez do verde vivo para a morte súbita e provocada. Mas continuamos...


Depois fomos ainda - depois de muito andar de ônibus cruzando o parque - para uma última trilha que ia até um lago, de onde podíamos ver, bem ao longe, uma geleira e seus icebergs... O "Glaciar Grey" 



Lá, novamente o vento mexendo em tudo - nas pedras em que pisamos, no lago que parecia ser um mar bravio pelo vento que causava ondas que só queriam vir para fora...

O vento assobiava tão forte nos meus ouvidos que era como se eu estivesse só no mundo, eu e o vento que gritava em minha mente. 

Sentia-me como uma intrusa inadequada -e também uma pedrinha jogada ao vento. Ficamos um bom tempo lá, com o vento mortificando nosos corpos pelo preço da majestade do lago verde e o monstro-glaciar bem ao longe, coberto de gelo e neblina cinzenta - de fato, Glaciar Grey...


Para depois voltarmos, exaustos, ao nosso ônibus para mais horas e horas de viagem...



Viagem ao Sul do Mundo (5) -El Calafate: Gelo, Icebergs, Geleiras

Depois de deixar para trás Ushuaia (snif, snif), cruzamos a Patagônia de seu extremo Sul para um ponto um pouco mais ao norte e ao Oeste - El Calafate, cidade turística nomeada por uma planta muito comum na região.

Longe do Mar, com todo seu abastecimento de água vindo do degelo das neves dos Andes, aqui era realmente visível o caráter mais desértico da Patagônia





A paisagem de El Calafate, porém, era dominada pelo grande lago à beira da qual a cidade foi construída.




Confesso que minha primeira reação à cidade não foi tão positiva quanto em Ushuaia - depois de conhecer um lugar tão encantador, não conseguia ver muita graça, para além da beleza desértica e montanhosa, naquele lugar...

Ushuaia deixou saudade- Calafate é uma cidade só turística, sem o charme e a vida e o espírito, a energia de Ushuaia. É mais uma parada temporária para peregrinos da natureza, que descansam deois de ver seus milagres...

Embora inegavelmente lindo...

Mas o fato é que, ao contrário de Ushuaia, que concentrava todos seus encantos no alcance de suas mãos, esse deserto exigia algumas horas de viagem para revelar seus maiores encantos e segredos...



Logo no primeiro dia, fomos visitar o Museu do Gelo - assim, antes mesmo de ver as paisagens surreais que me aguardavam, pelo menos conhecia um pouco de sua formação. Mas acho que, ao invés de qualquer tipo de desencantamento, compreender todo o processo de transformação de água em neve, neve em gelo e gelo em geleira servia para dar uma dimensão quase que histórica do que eu estava por ver - como o oxigênio, através da pressão e dos anos, saía da neve para começar a formar o gelo sólido das geleiras, como eram eles imensos rios de gelo que se deslocavam lentamente, caindo como icebergs em uma ponta e se alimentando de neve fresca lá em cima das montanhas...

Infelizmente, não podia tirar fotos no museu.

O que pude tirar fotos, porém, foi no bar de gelo ao lado do museu, que me rendeu uma experiência
bastante divertida...
Nem parece tanta coisa, mas era essa capinha brega que me impedia de congelar completamente nessa temperatura... Só tirar a luva para bater fotos já era um sacrifício!

Chegando, enfim, na cidade, fomos ao museu de gelo - que falava sobre os glaciares- e o bar de gelo, que ficava logo ao lado. O museu era muito bem feito, com vídeos, placas e fotografias lindas -e aprendi bastante sobre esse mundo congelado que nos é tão estranho. Acho uma pena que não haja também um museu do cerrado assim! Depois, ao bar do Gelo: roupas isolantes, paredes geladas, esculturas e compos de gelo -e, como em todo espaço fechado, música alta. A Oma quis logo sair, mas eu fiquei para tomar meus quase-mojitos e até um copinho de whisky - que ao invés de "whisky on the rocks" era "whisky in the rocks"... Enfim, trocadilho ruim.




 No dia seguinte, aí sim, fomos ver ao vivo o que já tinha visto em fotos e explicações: a geleira "Perito Moreno", uma das mais famosas geleiras do local. Aqui eu começo a lidar com a limitação das palavras - afinal, por mais que eu explique as sensações, o frio quase palpável ao chegar perto, os constantes sons aterradores de gelo caindo, a sensação imensa de paz e de assombro de estar diante de algo tão belo... Talvez as imagens e palavras consigam acender uma centelha - mas não posso prometer nem um centésimo da experiência que foi estar ali...



No dia seguinte, aí sim, visitamos o próprio glaciar (geleira?) Perito Moreno - uma parede monstruosa de gelo que cascateia desde lá em cima na montanha para erguer-se encostado na península de Magalhães. 


Várias escadas e caminhos nos davam diferentes perspectivas da enorme parede, ora mais ao norte, ao Sul, acima ou abaixo... Que coisa mais linda! 



A geleira... Como posso descrever algo tão lindo e tão estranho?

Ela se forma no alto de um vale entre montanhas, por neve que vai se compactando e perdendo o oxigênio, ficando cada vez mais densa até ser gelo puro. Aí, essa camada de gelo pesa e desce, até desprender-se em um lago ou rio, e formar icebergs.



O gelo é algo de extaordinariamente azul, de todos os tons (pois os fótons azuis penetram mais fundo que os demais) e se erguem em formas impossíveis em seu fim, como esculturas de cristais azuis gigantes - e caem estrondosamente no lago... É uma coisa viva. 
Move-se em seu tempo próprio, estalando e rugindo, quebrando o silêncio com os estrondos dos pequenos pedaços que se desprendem... 


Sinto que descrevo mal toda a majestade do que eu vi. Palavras assim são poucas e pobres para descrever aquele fantasma congelado de rio, aquele cobertor de cristais que coroava o vão entre as montanhas e terminava abrupto, em ângulos fortes, formando uma parede de gelo...







Me senti como se estivesse em uma igreja - não pelos rituais, mas pelo sentimento de sagrado que eu tive ao ver aquela imensidão - o sentimento de que era um lugar de profundidade e contemplação, como se cada rachadura e movimento da geleira pudese conter o mais puro grito da natureza, do mundo que vive e que, alheio a nós, mera humanidade, anda a seu próprio passo de maravilhas.






 Eu queria esganar todas as pessoas que ficavam conversando nos mirantes ao invés de se prostarem silentes diante da natureza forte, linda e perfeita.


Desci e subi escadas como que em peregrinação, oferecendo meu rosto ao Sol e meu suor à Montanha, e meus olhos, ah, meus olhos marejados - à imensidão de gelo que resiste, que se projeta bela porque simplesmente é, e nada mais.


É claro que o meu lado nerd também encheu a paisagem de referências a Game of Thrones ( se você acabou de aterrisar no planeta Terra, aqui vai o link na wikipedia), praticamente podia imaginar o cenário da Patrulha da Noite, me enchendo de vontade de escalar a geleira toda como quem sobe a Muralha e gritar "I've come to take the black!" Hehe. 


Ok, desculpa, mas eu não me aguentei em minha nerdice...
Depois de ver a geleira por terra, dois dias depois (porque meus propósitos aqui são temáticos, e não cronológicos, pularei um dia que passei no Chile, do qual tratarei amanhã), tivemos a oportunidade de ver não apenas Perito Moreno, mas também outras geleiras com um barco.

O tempo estava miserável - não só frio e vento, mas uma chuva fininha e massacrante, principalmente com a velocidade que o barco assumia - mas, se muito, o tempo cinzento apenas realçou os azuis impossíveis dos icebergs. Com o mar e o céu apagados, eles praticamente brilhavam.




Novamente, fotos e palavras não fazem justiça à diversidade de cores e tons que vimos - a cada formato curioso, a cada floreio da mão escultora do acaso, cada detalhe colorido que me fazia ficar lá fora, rosto congelando e fustigado pelos pingos de chuva afiados pelo vento, sem vontade de sair um milímetro do lugar...


Não sei se as fotos de agora parecem só um monte de gelo azul no lago azul (o que, em verdade é), mas o contexto todo tornava tudo fascinante:

Imagine só estar em um barco, com bancos confortáveis e janelas amplas, enquanto lá fora chove fininho, venta abundantemente e o frio espanta até os mais corajosos do deck externo. Porém, quando, ao longe, começam a aparecer umas pequenas figuras azuis, logo as pessoas saem pela porta, tentando não se molhar, embaixo de um pequeno teto...



Á medida que crescem em cores e amanhos os icebergs, alguns doidos se aventuram para fora do toldo para congelar na chuva - até que, ao longe, finalmente pode-se ver o primeiro glaciar, e ninguém quer saber mais se chove ou não...

Novamente, mais dessa estética cinzenta e fria, de uma natureza dura cobrando um preço alto por sua imensa beleza: mesmo cercados de todo os confortos possíveis, só conseguia realmente viver aquele momento se estivesse lá fora. É como se o frio e a umidade e a dor nos dedos e nariz e olhos fosse não um impedimento, mas uma parte inexorável da paisagem - como um pequeno sacrifício, uma doação de corpo para poder alimentar a alma com tanta beleza...


Acho que cheguei, realmente, ao limite das descrições: minha vontade era simplesmente de passar todas as fotos grandes, sem mais nada explicar, apenas com as imagens e nada mais -



Mas então, o sol surge bem no final do passeio, logo que nos aproximamos da outra face do Perito Moreno (a geleira que tinha visto por outro ângulo, a pé) e, além daquela imensa Muralha de gelo com todas as suas peculiaridades...

Se alguém perguntar, eu secretamente apelidava esse morrinho à esquerda de "Castle Black" (sim, mais uma referência a Game of Thrones)
 E o sol, afinal, nos entregou um presente final nessa viagem: a cor desse iceberg, simplesmente inacreditável e inexplicável em palavras...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Viagem ao Sul do Mundo (4) - Pinguins em Ushuaia (e mais uns bichinhos fofos)

Claro que não poderia deixar de visitar a Patagônia sem ver pinguins e outros bichinhos fofos - no verão, eles ficam em terra, para terem os seus bebês. Andamos pelo canal de Beagle (nomeado por causa do barco que levou Darwin em sua famosa expedição), cada vez mais ao sul, até as pequenas ilhas habitadas pelas criaturas mais fofas e lânguidas que já vi... Acho que nem vou escrever muito dessa vez - o risco de virar uma menina babona falando com erros de gramática propositais para descrever o quão fofas são as imagens diante de mim são muito grandes... Então, no quesito da fofura, deixarei as imagens falar. (e os vídeos, também!) 
Tive uma identificação imediata com a preguiça dos leões marinhos - como alguém pode vê-las como animais ferozes quando elas descansam de forma tão lânguida nas pedras, aconchegadinhas e fofas?

Andando de Catamarã, há algumas coisas que eu descubro: 

--> Definição de leão marinho: um rolinho fofo, fedido e mal-humorado.

Leão marinho macho seduzindo. 

São  gordos e lânguidos, de uma pele tão macia e tremulante, andar desajeitado e feições desajustadas - mas de uma ferocidade inegável embaixo da fofura toda. 






Não preciso nem dizer que todo esse andar desengonçado em terra se transformava completamente quando  eles entravam na água - que era tão rápido que eu nem conseguia filmar.

Maiores informações sobre os bichinhos nos dão um insight maior no que consiste a vida deles: comer peixe, acasalar, ter filhotes, ensinar os filhotes a nadar, comer peixe, acasalar, ter filhotes... Claro, sem esquecer os dias de languidez, dormindo de conchinha com outros leões marinhos enquanto as camadas de gordura corporal protegem contra o frio...








Mas a beleza do dia não foi apenas por conta dos bichinhos fofos - a paisagem em si era lindíssima. O dia estava bastante nublado e ventoso, deixando o mar inquieto e escuro, muito escuro... Uma beleza um pouco sombria, afiada...


---> Os Andes namoram o mar, e esse romance é algo tão lindo...


---> Nada me faz tão viva quanto o vento assobiando nas minhas orelhas.


---> Vejo os picos pelados de montanhas que se cobrem de neve no inverno; aves lutando para pescar e levantar vôo; as tempestades gêmeas no mar e no cúe, cinzentas e quase negras de um azul tão fundo...


---> E o frio, queimando minhas orelhas, bochechas e tudo o que não é coberto por tecido...


Me sinto estranhamente atraída por essa beleza cinzenta e fria. 

Depois de leões marinhos, montanhas, aves e mares revoltos, finalmente chegamos ao nosso destino principal: pinguins!

Pinguins. Aves que não voam, desajeitadas, em lugares remotos, mas com um encanto inegável. Metáforas com a Faculdade de Direito povoam minha mente - inevitável. Mas não adianta, vendo de perto, eles são tão adoráveis! 

Sou uma diva!  

Na época que estive lá, em março, já estava no final da temporada de acasalamento e nascimento de bebês - os filhotes já estavam crescidos, reconhecíveis apenas por alguns restinhos ainda de sua pelagem fofa de filhote, que já saía. 

E eram muitos! 

Haviam três espécies de pinguins na ilha no momento. Duas delas acasalavam no local - os pinguins de bico e patas laranjas, como o da primeira foto, e os pinguins listrados com bicos pretos, que predominam na segunda foto. Haviam também alguns nobres visitantes: os pinguins imperiais, que geralmente moram só na Antártida, estavam, como nós humanos, dando uma de turista no meio de seus primos. 

Ao contrário da fofura pura dos pequenos, esse aí já tinha um ar meio arrogante... 

Assim como acontecia com os leões marinhos, todo aquele andar desajeitado se transformava em leveza e graça no momento em que eles entravam na água - fora um ou outro chacoalhar de rabinho, pareciam verdadeiros pássaros de mar, nos mostrando, através da água gelada e transparente, que não eram apenas fofos, mas também imensamente habilidosos.




De uma forma ou de outra, era uma visão hipnotizante - centenas de pequenas criaturas, emprestando vida e cor para uma paisagem tão remota e cinzenta, enchendo o ar de sons, e as pedras de nova vida...





Passamos poucos dias em Ushuaia - mas cada um dos três dias foi cheio de experiências interessantes. Além dos passeio que me marcaram - que, em verdade, aconteceram todos no mesmo dia! - a própria cidade de Ushuaia me encantou muito. Que cidade mais fofa! Obviamente não poderia ser chamada de uma cidade grande, mas era uma cidade de vida própria.


Era bastante fácil distinguir os moradores dos turistas - pela quantidade de roupa que precisavam vestir, em verdade. Enquanto nós "do norte" precisávamos de casacos e cachecóis e luvas, algumas pessoas corajosas desbravavam as ruas de simples moletons, e até mesmo bermudas... Em março ainda é verão por lá, então o pessoal local devia estar é curtindo um calorzinho...




...e eu sempre acompanhada de minha onipresente mochila vermelha.

...ficamos o resto do dia passeando por Ushuaia, olhando lojas, casas com flores bonitas (parada obrigatória para a Oma) e, ao final do dia, o por-do-sol na orla, para nos despedirmos da cidade e tirar algumas fotos ...




Eu podia me imaginar lá, morando na cidade com um pequeno escritório de advocacia, um cachorro grande na coleira, passeando todas as tardes na beira do mar, no frio, vendo os barcos no porto... Ah, se eu escolhesse viver uma vida tranquila... 

E um livro, é claro! Imagina só se eu viajaria sem...

 Quando fomos embora, (e até agora) senti muita saudade de Ushuaia - é uma cidade que eu realmente gostaria de visitar novamente. Com todo seu passado, com sua natureza inclemente, com todo o frio, mas também com seus cantinhos aconchegantes e irreverentes (como um restaurante de um colecionador de antiguidades, que esbanjava criatividade até mesmo no sinal do banheiro...

O. Tamanho. Dessa. Calcinha. Enough said. 
 De qualquer forma, o verão-but-not-quite dessa cidade me cativou - sua localização, entre mar e montanhas, seus ares de cidade pequena, uma geleira logo ali, em cima da montanha...



Tudo bem, eu admito - fiquei apaixonada. Não são tantos lugares que conseguem essa reação de mim - luto ainda pra fazer as pazes com minha própria cidade natal - mas sei que um dia ainda volto para lá (quem sabe até no inverno!) para ver se foi só um namorico de verão, ou se pode até ser um relacionamento mais longo...