terça-feira, 12 de junho de 2012

Viagem ao Sul do Mundo (4) - Pinguins em Ushuaia (e mais uns bichinhos fofos)

Claro que não poderia deixar de visitar a Patagônia sem ver pinguins e outros bichinhos fofos - no verão, eles ficam em terra, para terem os seus bebês. Andamos pelo canal de Beagle (nomeado por causa do barco que levou Darwin em sua famosa expedição), cada vez mais ao sul, até as pequenas ilhas habitadas pelas criaturas mais fofas e lânguidas que já vi... Acho que nem vou escrever muito dessa vez - o risco de virar uma menina babona falando com erros de gramática propositais para descrever o quão fofas são as imagens diante de mim são muito grandes... Então, no quesito da fofura, deixarei as imagens falar. (e os vídeos, também!) 
Tive uma identificação imediata com a preguiça dos leões marinhos - como alguém pode vê-las como animais ferozes quando elas descansam de forma tão lânguida nas pedras, aconchegadinhas e fofas?

Andando de Catamarã, há algumas coisas que eu descubro: 

--> Definição de leão marinho: um rolinho fofo, fedido e mal-humorado.

Leão marinho macho seduzindo. 

São  gordos e lânguidos, de uma pele tão macia e tremulante, andar desajeitado e feições desajustadas - mas de uma ferocidade inegável embaixo da fofura toda. 






Não preciso nem dizer que todo esse andar desengonçado em terra se transformava completamente quando  eles entravam na água - que era tão rápido que eu nem conseguia filmar.

Maiores informações sobre os bichinhos nos dão um insight maior no que consiste a vida deles: comer peixe, acasalar, ter filhotes, ensinar os filhotes a nadar, comer peixe, acasalar, ter filhotes... Claro, sem esquecer os dias de languidez, dormindo de conchinha com outros leões marinhos enquanto as camadas de gordura corporal protegem contra o frio...








Mas a beleza do dia não foi apenas por conta dos bichinhos fofos - a paisagem em si era lindíssima. O dia estava bastante nublado e ventoso, deixando o mar inquieto e escuro, muito escuro... Uma beleza um pouco sombria, afiada...


---> Os Andes namoram o mar, e esse romance é algo tão lindo...


---> Nada me faz tão viva quanto o vento assobiando nas minhas orelhas.


---> Vejo os picos pelados de montanhas que se cobrem de neve no inverno; aves lutando para pescar e levantar vôo; as tempestades gêmeas no mar e no cúe, cinzentas e quase negras de um azul tão fundo...


---> E o frio, queimando minhas orelhas, bochechas e tudo o que não é coberto por tecido...


Me sinto estranhamente atraída por essa beleza cinzenta e fria. 

Depois de leões marinhos, montanhas, aves e mares revoltos, finalmente chegamos ao nosso destino principal: pinguins!

Pinguins. Aves que não voam, desajeitadas, em lugares remotos, mas com um encanto inegável. Metáforas com a Faculdade de Direito povoam minha mente - inevitável. Mas não adianta, vendo de perto, eles são tão adoráveis! 

Sou uma diva!  

Na época que estive lá, em março, já estava no final da temporada de acasalamento e nascimento de bebês - os filhotes já estavam crescidos, reconhecíveis apenas por alguns restinhos ainda de sua pelagem fofa de filhote, que já saía. 

E eram muitos! 

Haviam três espécies de pinguins na ilha no momento. Duas delas acasalavam no local - os pinguins de bico e patas laranjas, como o da primeira foto, e os pinguins listrados com bicos pretos, que predominam na segunda foto. Haviam também alguns nobres visitantes: os pinguins imperiais, que geralmente moram só na Antártida, estavam, como nós humanos, dando uma de turista no meio de seus primos. 

Ao contrário da fofura pura dos pequenos, esse aí já tinha um ar meio arrogante... 

Assim como acontecia com os leões marinhos, todo aquele andar desajeitado se transformava em leveza e graça no momento em que eles entravam na água - fora um ou outro chacoalhar de rabinho, pareciam verdadeiros pássaros de mar, nos mostrando, através da água gelada e transparente, que não eram apenas fofos, mas também imensamente habilidosos.




De uma forma ou de outra, era uma visão hipnotizante - centenas de pequenas criaturas, emprestando vida e cor para uma paisagem tão remota e cinzenta, enchendo o ar de sons, e as pedras de nova vida...





Passamos poucos dias em Ushuaia - mas cada um dos três dias foi cheio de experiências interessantes. Além dos passeio que me marcaram - que, em verdade, aconteceram todos no mesmo dia! - a própria cidade de Ushuaia me encantou muito. Que cidade mais fofa! Obviamente não poderia ser chamada de uma cidade grande, mas era uma cidade de vida própria.


Era bastante fácil distinguir os moradores dos turistas - pela quantidade de roupa que precisavam vestir, em verdade. Enquanto nós "do norte" precisávamos de casacos e cachecóis e luvas, algumas pessoas corajosas desbravavam as ruas de simples moletons, e até mesmo bermudas... Em março ainda é verão por lá, então o pessoal local devia estar é curtindo um calorzinho...




...e eu sempre acompanhada de minha onipresente mochila vermelha.

...ficamos o resto do dia passeando por Ushuaia, olhando lojas, casas com flores bonitas (parada obrigatória para a Oma) e, ao final do dia, o por-do-sol na orla, para nos despedirmos da cidade e tirar algumas fotos ...




Eu podia me imaginar lá, morando na cidade com um pequeno escritório de advocacia, um cachorro grande na coleira, passeando todas as tardes na beira do mar, no frio, vendo os barcos no porto... Ah, se eu escolhesse viver uma vida tranquila... 

E um livro, é claro! Imagina só se eu viajaria sem...

 Quando fomos embora, (e até agora) senti muita saudade de Ushuaia - é uma cidade que eu realmente gostaria de visitar novamente. Com todo seu passado, com sua natureza inclemente, com todo o frio, mas também com seus cantinhos aconchegantes e irreverentes (como um restaurante de um colecionador de antiguidades, que esbanjava criatividade até mesmo no sinal do banheiro...

O. Tamanho. Dessa. Calcinha. Enough said. 
 De qualquer forma, o verão-but-not-quite dessa cidade me cativou - sua localização, entre mar e montanhas, seus ares de cidade pequena, uma geleira logo ali, em cima da montanha...



Tudo bem, eu admito - fiquei apaixonada. Não são tantos lugares que conseguem essa reação de mim - luto ainda pra fazer as pazes com minha própria cidade natal - mas sei que um dia ainda volto para lá (quem sabe até no inverno!) para ver se foi só um namorico de verão, ou se pode até ser um relacionamento mais longo...




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