Como desafio do desafio - e também necessidade que a exaustão me impõe - proponho-me a escrever apenas um parágrafo. Apenas um pequeno parágrafo para escrever algo que seja significativo, algo que seja bonito. Recorro à metalinguagem para conseguir tal objetivo, por ela me correr de maneira tão fácil, mas reduzir tudo a um singelo parágrafo não deixa de ser um desafio. Sem muitas frases para me explicar, sem muito espaço para viajar e trilhar tantos outros caminhos. Não. Apenas um pequeno caminho, uma única trilha, um pequeno passeio em minhas palavras e intenções. Talvez o meu problema seja que, a cada linha a menos, é menos uma oportunidade de me explicar, de clarificar algum significado, de cobrir alguma imperfeição. As chances de errar (e não ter o erro esquecido), em um texto pequeno, são maiores. Mas se minha pretensão é fazer algo de belo, então não posso deixar de pensar tanto na minha imperfeição do que a dos olhos que lêem - oras, nenhum significado é completamente apreensível, nenhuma realidade é completamente contemplada, e nem o texto mais sublime é perfeito. No final das contas, volto sempre a Fernando Pessoa:
"Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos - um poço fitando o céu."
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