quarta-feira, 13 de junho de 2012

Viagem ao Sul do Mundo (6) - O Vento Chileno (e a volta à Terra)

 Neste dia, fomos ao Chile. Torres del Payne, Parque Nacional. Saímos às 6:00 e só chegamos ao Chile perto das 11:00. O que mais demorava eram as burocracias na fronteira. Quilômetros e quilômetros de estepe, o deserto vivo - parece cinzento e morto, mas são pasto e moitas. 


Vimos emas e uma espécie de lhama chamada guanapo - um bichinho simpático e elegante que pastava por todo o lado. Do famoso e feroz puma, só as carcaças de guanacos que viraram refeição...


Ficamos muito tempo no ônibus, vendo o parque, e sinto que vi e senti pouco - queria caminhar e acampar por dias! 



Aqui, o vento (esse componente natural que dominou o dia) já se fazia sentir nos cabelos desarrumados e no cachecol dançante...

Vimos lagos de todos os tons de azul, cachoeiras e rios, montanhas nevadas e geleiras ao longe - vimos estepe amarelada e bosque verde - e o preto e cinzento da devastação por fogo e pela estupidez humana. 
 
O verde-claro de um lago era por causa de um micro-organismo que vivia lá, e é interessantíssimo ver como as cores contrastam em um espaço tão pequeno...



No pico da montanha, o que mais impressionava era o vento soprando as neves - além de seus assustadores assobios por entre as montanhas, víamos a evidência física de sua presença pela neve que se deslocava em nuvens no pico da montanha. Imagine só como deve ser estar lá em cima...


Embora eu pareça toda calma (embora já com o protetor de orelhas) nesta foto, só chegar até a cachoeira foi uma pequena aventura:

Mas o que mais me marcou o dia foi o vento - forte, uivante, por vezes eu achava que ia cair ou voar...


Uma caminhada até o mirante da cachoeira, teve uma subida e vento fortes. A grama amarelada tremulava em vida e os galhos cresciam curvados, as folhas das árvores balançando. O vento enchia meus ouvidos de seus clamores, me empurrava e puxava, brincava com o meu cabelo e cachecol, secava meus olhos e avermelhava meu rosto. Vendo de rachar a boca e tirar o fôlego, leve de ar mas fortíssimo e quase sólido quando se jogava sobre quem ousasse dobrá-lo.



Com os incêndios no parque (provocados por turistas imbecis há anos atrás!) fui defrontada novamente com tanta fragilidade - os campos que continuam pretos e mortos depois da tragédia por anos a fio, a natureza que, ferida, se recupera lenta e ainda é castigadas pelos elementos... Enfim, era triste ver o quanto do parque passava com tanta rapidez do verde vivo para a morte súbita e provocada. Mas continuamos...


Depois fomos ainda - depois de muito andar de ônibus cruzando o parque - para uma última trilha que ia até um lago, de onde podíamos ver, bem ao longe, uma geleira e seus icebergs... O "Glaciar Grey" 



Lá, novamente o vento mexendo em tudo - nas pedras em que pisamos, no lago que parecia ser um mar bravio pelo vento que causava ondas que só queriam vir para fora...

O vento assobiava tão forte nos meus ouvidos que era como se eu estivesse só no mundo, eu e o vento que gritava em minha mente. 

Sentia-me como uma intrusa inadequada -e também uma pedrinha jogada ao vento. Ficamos um bom tempo lá, com o vento mortificando nosos corpos pelo preço da majestade do lago verde e o monstro-glaciar bem ao longe, coberto de gelo e neblina cinzenta - de fato, Glaciar Grey...


Para depois voltarmos, exaustos, ao nosso ônibus para mais horas e horas de viagem...



Nenhum comentário:

Postar um comentário